Eram três horas da tarde.
Estava em um botequim, assim chamado por que lá havia um simples balcão, imprescindível para os tomadores de doses. Mas já tivera um outro balcão de uma pequena autopeças, e mesmo assim, com aquele trombolho de concreto dividindo o espaço, já era um botequim. Pequeno e com mesas vermelhas, estava quente ainda mais, era um pouco sujo, o chão gasto, assim como os pés das cadeiras, como o banheiro, sem descarga e com trincos mal resolvidos.
Estava sentado em uma cadeira pequena, próximo a uma pequena mesa, com uma amiga frente a frente a ela, conversando e bebendo, quando o telefone tocou. Encarei a rua e com o telefone em punho recebia notícia, seu pai partiu, pra não dizer morreu.
Quem me deu a notícia foi sua ex-mulher, também conhecida como minha mãe. Há mais de trinta anos quando eles se separaram, tive a impressão de que perdi duas palavras, família e pais. Na verdade três.
A vida, ah a vida. A vida leva você e ela é implacável. Ela faz você fazer coisas, mudar, e por mais que se apegue as 'paredes’ históricas, somos ‘levados’. Realizar os desejos, faz com que essa velocidade de mudança acelere. Se eu não sei conter meus ímpetos, vou pela água do rio sendo levado, por não saber, e não querer também - por que não? - me agarrar aos matos da margem. Como poderia ser importante conter os gastos, conter as vontades. Sozinho, eu flutuo, fico só, faço de mim meu próprio negócio, jogo, minha celebração só. Sem lembrar, sem pensar, apenas olhando para dentro. Medito em mim. Relembrar, refazer, se remodelar, lembro do projeto. Será ele possível? Será que vale a pena? Corpo, mente, alma, matéria. Divulgar ou reter? Reter. Depois divulgar.
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