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Sonho (parte 1 e 2)

Sonho real. E um tigre pequeno apareceu de novo. Peguei-o, com o devido cuidado, segurando sua pata e ele arisco, quis fugir das minhas garras. Busquei um espaço natural, fazendo jus a sua natureza e soltei-o, e ele não mais que de repente saiu em retirada, pulando no parapeito de madeira rústica marrom escura, e se lançando num vazio de oito metros, sendo quase amortecido por um galho daquela palmeira e depois, amaciando-se na grama. Pareceu-me uma cena idílica, mas foi ela que me ateve durante aquele breve contato com aquela localidade, um espaço de férias, mas com alguns problemas estruturais. As ruas estavam enlameadas, os lugares -terrenos murados- tinham mato alto, e a sinalização de ruas não existia. No meio de tantos casais, quartos e lama, toda a história começou com um grupo de moleques querendo roubar um caminhão pequeno, vermelho. Rápido fui a avisar ao velhote o anseio daquele grupelho e depois de desviar de uma pedra mal tacada, lá foi ele evitar que o moleque de seus quase 12 anos ligasse a caminhoneta. Mais tarde um pessoal, que dormiria em uma barraca, de camping, chamou-me a refletir sobre o descompasso do real, facas versus nylon, e ninguém estaria ali pra avisar. A vida seguindo. E eu seguindo um amigo que acompanhado me levava para conhecer o local onde estava, e carregando um cabo, vim a me enrolar e a perdê-los de vista, quando seu pai a pareceu e me disse em bom tom e em uma linguagem próxima do inglês, o qual retruquei com um “dá pra falar em português?” e ele rebateu com uma risada. Jogou a guimba de cigarro no terreno próximo a calçada que andávamos e retrucou seu próprio desmazelo. “Não deveria ter jogado essa guimba aqui.” Então comecei a contar a história do pequeno tigre de bengala. Isso, ele era branco e cinza. Esse sonho deve ter me ocorrido por que debatera rapidamente com minha mãe sobre punição para crimes cometidos por adolescentes, sobre a lei que proteja esses quase seres de irem direto pra cadeia, mesmo em caso de crimes hediondos, ou relacionados com porte de arma. Julgava que há sim, uma dificuldade da sociedade em se posicionar frente a essa causa e que em contraponto, eu, achava então, que deveria haver rigidez, uma prisão adulta pra adolescentes, mas que pessoas mais velhas sendo corruptas, deveriam ser penalizadas sem direito a regalias, sem inclusive o chamado ‘réu primário’. E após acordar. Um sopro de reflexão tocou minha cabeça. Meu sonho era recheado de pessoas, de casas de diferentes tipos e sobretudo de todas as idades. Então essa seria nossa nova ordem mundial. Convivência misturada e irrestrita de todos com todos, cada qual em sua individualidade e na ‘tal’ busca pelo convívio social. Acordar em sonho, acordar dormindo, dormir ouvindo rádio, andar ouvindo rádio, assistir televisão ouvindo pássaros, ouvir pássaros dormindo. O que é a vida, esperar pelo paralelo ou subvertê-lo? Construir o caminho ou caminhar a esmo? Desejar ou aceitar o desejo do que é maior indelével? Sonho, sonho, e caminho errando, errado pra quê? Ah, essa vida que nos oferece o dia e a noite e nos oferece o entre - hábito.

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