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São Pedro seria?

Deveria ser São Pedro o santo da vez. Grandes embarcações passavam recolhendo outros menores - não menos suntuosas para Vitória. Onde a pesca era vista apenas pelos pequenos pescadores que ali passavam. Da igreja São Pedro com sua sala de catequese ao fundo da nave, no segundo andar, até o que era o centro efervescente da zona portuária – havia uma distância média. Naquele dia as pessoas cruzavam o trecho a pé mesmo. Uma espécie de procissão. Havia um centro evangélico ao lado, mas o que ‘selava’ as pessoas mesmo era a Igreja Católica que por seus santos como São Pedro, São José e São João, todos com seus dias no mês de junho, ia do pudor ao profano, e logo ali ao lado dela, a grande igreja, com sua nave em forma de concha acústica, estava o centrão ou melhor , as instalações do porto. Lá, homens navios e peixes pescados eram conduzidos aparentemente da mesma forma, por uma espécie de baia. Um corredor de concreto frente à parede de água onde os navios e barcos esperavam e esperavam. E os peixes esperavam e esperavam mais ainda, ainda vivos. Eram peixes encouraçados, quase bagres, não pela forma, mas resistência em ficar de fora d’água. O profano ‘colava-se’ ao santo principalmente por sua música, o congo, que era ser tocado como uma ladainha ao fundo da procissão. Todo aquele turbilhão sonoro vinha de apenas um tocador, espécie de comandante do barco, que celeremente ‘empurrava’ os fiéis até um dado ponto da dispersão. Na verdade a dispersão dava-se onde havia o maior clamor ao Santo Pai, ao Pai Nosso e ao Santo, que devia ser São Pedro, dado ao nível da cidade: flertava com a linha da maré. E de repente na beirada do cais espiava eu com mais um senhor aquele movimento e embaixo de mim alguns peixes esperavam sabe lá a dita, mas um em uma célebre tentativa pulou na maré e afundou já boquiaberto e em uma espera difícil olhava aquela pequena boca a respirar até que em seu instinto voltou ao mar.

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