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Beleza feia

Era uma coisa quase assustadora, se não fosse comum aquele lugar para mim. Aquele trecho da avenida central da cidade era a minha relação mais rápida com ela. Bas tava acordar e ao ir à padaria já estava nela; atravessando suas duas vias e vivendo por alguns segundos a eminência de ser atropelado e ir para o outro mundo. Sim, o mais moderno naquela época eram os carros. Mas dessa vez estava em meio a uma passeata, não era uma festa. Das três faixas que levavam para o centro, duas eram uma espécie de carnaval. Inventei então de vender cerveja, no meio do ‘percurso de Borges’ e ouvi ‘onde está o dinheiro’, de um conviva ao qual pensava em uma parceria. Como um nocaute, a frase atravessou-me e andei pela passeata e me vi subindo na carona de uma camionete junto com um outro, e fomos de carona andar pro onde não sei. Proseei um pouco, olhei pra quem dirigia e ao sentir que a camionete fazia um barulho a mais, fiz um sinal, vi um grupo de larápios ao lado, mas desci assim mesmo. Pedi pra tomar uma ‘gela’, e o cara que desceu falou que tinha um dinheiro – era de outro país. Fomos até o bar que era perto e logo sentamos em umas caixas de cervejas. Logo o dono do bar passou a desferir appers no peito e no rosto e assim mudando de lugar a confusão continuou. Estarrecido vi o dono do bar, dar um soco em um carro de churrasco e quebrar um pedaço de vidro e logo entrar em estado enervado. Tudo era agressivo, tudo dinheiro, apenas um gesto de gentileza me salvou do caos, que meus olhos bebiam com a sede de um glutão. Foi um carnaval, um deixar ir, uma vida solta, um amigo de carona, um não se importar tanto com os lados esquisitos, e um prazer em estar em casa, já que aquele espaço feito de concreto pré-moldado, não era a minha casa, era a rua.

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