Era uma coisa quase assustadora, se não fosse comum aquele lugar para mim.
Aquele trecho da avenida central da cidade era a minha relação mais rápida com ela. Bas tava acordar e ao ir à padaria já estava nela; atravessando suas duas vias e vivendo por alguns segundos a eminência de ser atropelado e ir para o outro mundo. Sim, o mais moderno naquela época eram os carros.
Mas dessa vez estava em meio a uma passeata, não era uma festa. Das três faixas que levavam para o centro, duas eram uma espécie de carnaval.
Inventei então de vender cerveja, no meio do ‘percurso de Borges’ e ouvi ‘onde está o dinheiro’, de um conviva ao qual pensava em uma parceria. Como um nocaute, a frase atravessou-me e andei pela passeata e me vi subindo na carona de uma camionete junto com um outro, e fomos de carona andar pro onde não sei.
Proseei um pouco, olhei pra quem dirigia e ao sentir que a camionete fazia um barulho a mais, fiz um sinal, vi um grupo de larápios ao lado, mas desci assim mesmo. Pedi pra tomar uma ‘gela’, e o cara que desceu falou que tinha um dinheiro – era de outro país.
Fomos até o bar que era perto e logo sentamos em umas caixas de cervejas. Logo o dono do bar passou a desferir appers no peito e no rosto e assim mudando de lugar a confusão continuou. Estarrecido vi o dono do bar, dar um soco em um carro de churrasco e quebrar um pedaço de vidro e logo entrar em estado enervado.
Tudo era agressivo, tudo dinheiro, apenas um gesto de gentileza me salvou do caos, que meus olhos bebiam com a sede de um glutão.
Foi um carnaval, um deixar ir, uma vida solta, um amigo de carona, um não se importar tanto com os lados esquisitos, e um prazer em estar em casa, já que aquele espaço feito de concreto pré-moldado, não era a minha casa, era a rua.
A vida, ah a vida. A vida leva você e ela é implacável. Ela faz você fazer coisas, mudar, e por mais que se apegue as 'paredes’ históricas, somos ‘levados’. Realizar os desejos, faz com que essa velocidade de mudança acelere. Se eu não sei conter meus ímpetos, vou pela água do rio sendo levado, por não saber, e não querer também - por que não? - me agarrar aos matos da margem. Como poderia ser importante conter os gastos, conter as vontades. Sozinho, eu flutuo, fico só, faço de mim meu próprio negócio, jogo, minha celebração só. Sem lembrar, sem pensar, apenas olhando para dentro. Medito em mim. Relembrar, refazer, se remodelar, lembro do projeto. Será ele possível? Será que vale a pena? Corpo, mente, alma, matéria. Divulgar ou reter? Reter. Depois divulgar.
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