Estamos em 2016, e como tenho mais de 40 anos, dá pra ter uma idéia de quando comecei a acompanhar a tradição futebolística do nosso país. Vivi intensamente a Copa do Mundo de 1982 e a fase áurea do Flamengo. Não dava muita atenção a bola, que era preta e branca nesta época. Lembro dos inúmeros placares que o Flamengo aplicava sobre o Bangu e o América, nos idos de 80 do Campeonato Estadual. Também lembro dos chutes indefensáveis para os goleiros de Roberto Dinamite e seu futebol 'navalha'. Tudo bem que ele tinha bons companheiros os quais não lembro (sinc!), mas pretendo me informar., com todo respeito. Aliás meu amigo e vizinho de muro na infância tinha um pai que além de ser delegado era vascaíno, por aí dá pra ter uma idéia. Será que o Vasco é um time tradicionalmente de policiais civis? Fica a indagação.
Podía dividir os torcedores do meu bairro de infância entre os grandes do Rio, tendo mais representantes para o Flamengo e o Vasco, com Fluminense e Botafogo logo atrás.
Era época de futebol de campo mesmo. Parece redundante, mas, o estilo futebol de salão como viríamos a ver em Romário e Bebeto em suas tabelas dentro da pequena área eram mais esporádicas. Haviam mais chutes de fora da grande área, vide Éder do Atlético Mineiro e Zico do Flamengo, época que parece ter se encerrado com Josimar pela seleção brasileira.
Joelho e canela eram 'recursos baratos' (sinc!)! Baratos, renováveis na medida do possível e compunham a parte mais trágica dos jogadores, fora a relação deles com o samba, a bebida e o cigarro. Garrincha quando jogou a Copa no Maracanã, acho que contra o Uruguai, saiu na parte trazeira de uma Willis, daquelas usadas pelo exército, fumando um belo cigarro. Foi uma época em que aos olhares poéticos parecia ser necessário ao jogador gostar de samba, de preferência Roberto Ribeiro, estilo "está faltando uma coisa em mim, e é você amor, tenho certeza sim...", ao contrário do início do século XX, quando futebol veio associado a 'produzir e não curtir', enfim....
O samba tornou-se algo quase marginal, sem glamour, e já havia sido de 'lugares ermos', bastava ver nas revistas e ouvir nos rádios a vida entre o gueto e as traves.
A vida, ah a vida. A vida leva você e ela é implacável. Ela faz você fazer coisas, mudar, e por mais que se apegue as 'paredes’ históricas, somos ‘levados’. Realizar os desejos, faz com que essa velocidade de mudança acelere. Se eu não sei conter meus ímpetos, vou pela água do rio sendo levado, por não saber, e não querer também - por que não? - me agarrar aos matos da margem. Como poderia ser importante conter os gastos, conter as vontades. Sozinho, eu flutuo, fico só, faço de mim meu próprio negócio, jogo, minha celebração só. Sem lembrar, sem pensar, apenas olhando para dentro. Medito em mim. Relembrar, refazer, se remodelar, lembro do projeto. Será ele possível? Será que vale a pena? Corpo, mente, alma, matéria. Divulgar ou reter? Reter. Depois divulgar.
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